Beato Pe. José (Józef) Stanek era um capelão do grupo “Kryska” durante a Insurreição de Varsóvia (foi uma luta armada durante a Segunda Guerra Mundial na qual o Armia Krajowa (Exército Clandestino Polaco) tentou libertar Varsóvia do controle da Alemanha Nazi. Teve início em 1 de agosto de 1944 como parte de uma revolta nacional e deveria durar apenas alguns dias, até que o Exército Soviético chegasse à cidade. O avanço soviético no entanto foi interrompido, mas a resistência polaca continuou por 63 dias, até sua rendição às forças alemãs em 2 de outubro). O ódio dos alemães levou-o à morte de um mártir por enforcamento. “Padre capelão Stanek, todo o povo gasto nesta execução (prisioneiros – insurgentes e civis) dava da forca com um laço no pescoço a benção… Estava se despedindo de todos os que estavam assistindo a esta tragédia com o sinal da cruz”- lembra Stanisława Żórawska. O padre José (Józef) Stanek nasceu em 4 de dezembro de 1916 em Łapsze Niżne (Polônia) como filho de Józef e Agnieszka. Freqüentou o ensino médio em Wadowice. Em 1935 ingressou na Sociedade do Apostolado Católico. Dois anos depois, começou a estudar no Seminário Maior dos Padres Palotinos em Ołtarzew. Foi lá quando começou a Segunda Guerra Mundial.

Quando, junto com outros seminaristas, foi evacuado da frente, foi feito prisioneiro pelos soviéticos, dos quais ele fugiu e retornou a Ołtarzew. Em 7 de abril de 1941, foi ordenado sacerdote e em 13 de abril celebrou sua primeira Santa Missa em sua aldeia natal. Em 1941, também começou os estudos na clandestina Faculdade de Sociologia da Universidade de Varsóvia, portanto, seu destino posterior estava ligado à capital da Polônia, onde trabalhou como padre e capelão hospitalar das Irmãs da Família de Maria em Varsóvia. É aqui que o começo da Insurreição de Varsóvia o encontra. Capelão do agrupamento “Kryska” Na segunda quinzena de agosto de 1944, ele foi enviado para servir no agrupamento do exército clandestino Polaco “Kryska”. Tornando-se capelão do agrupamento, adotou o pseudônimo “Rudy” (Ruivo). Serviu  celebrando as missas para soldados e civis, confessando e visitando pacientes em hospitais. Muitas vezes salvou os feridos, levando-os para fora da linha de combate. “Seu rosto calmo e agradável e palavras reconfortantes davam consolo…” Sobre a importância da presença do padre Stanek entre os soldados combatentes pode ser lido nas memórias de um dos soldados do grupo “Kryska”, Wojciech Zabłocki, pseud. “Derkacz”: “Estou salvo. Estou olhando para o meu salvador. Não há dúvida – ele é um capelão que recentemente celebrou Missa para os soldados – Pe. Stanek… Com um pouco de água molhou meus lábios e me deu uma bebida. Confortava, incentivava. O capelão, na medida das suas modestas possibilidades, cuidava de todos. Seu rosto calmo e agradável e palavras reconfortantes davam o consolo e nos acompanham por algumas horas “.

“Estava se despedindo de todos os que estavam assistindo a esta tragédia com o sinal da cruz”. Nos últimos dias da Insurreição dos moradores de Varsóvia em Przyczółek Czerniakowski, ele se dedicou a salvar a vida de outros. Ele se recusou a fugir para o  outro lado do Rio Vístula, entregando seu lugar no pontão para o soldado ferido. Em 23 de setembro de 1944, o padre Stanek estava nas mãos dos nazistas, que o espancaram e o empurraram para a forca. Nos últimos momentos de sua vida ele mostrou verdadeira bravura, até o final ele permaneceu um verdadeiro sacerdote. “O Padre capelão Stanek, a todo o povo nesta execução (prisioneiros – insurgentes e civis) dava da forca, com a corda no pescoço, a benção… Estava se despedindo de todos os que estavam assistindo a esta tragédia com o sinal da cruz”- lembra Stanisława Żórawska, que viveu em Czerniakow durante a Insurreição de Varsóvia.

Pe. Józef Warszawski SJ, também capelão, capturado junto com outros revolucionários  disse o seguinte: “Emergia, de fato, das profundezas das ruínas, uma longa fila de pessoas. Vinham ao nosso encontro […] precedidas pelos uniformes dos alemães, depois dos quais vinha um sacerdote. […] Finalmente pude distinguir: era um Palotino, Padre José Stanek”. Os nazistas “o batiam com os punhos no rosto até chegar às nossas filas.  Ao realizar isto, gritavam seu “credo” nazista com as palavras: “Estes são os piores! Não os Ingleses! Não os Hebreus! Mas estes com as batinas pretas! Estes são os demônios!!” … Puxando aqui e ali,  o empurravam em direção próximo às ruínas … E assim morreu – “in odium fidei et vindictae” (em um ódio à fé e por vingança).

Uma outra testemunha ocular, a Sra. Halina Darska completa o quadro dizendo: “No dia 23 de Setembro de 1944, antes do meio dia, os revolucionários em Czerniakow que permaneciam vivos, juntamente com a população civil foram recolhidos pelos Alemães entre as ruínas de uma fábrica em Solec. Vi um sacerdote que estava próximo a um muro com a batina, mas sem sapatos, de cabeça descoberta. As pessoas que já estavam lá, informavam que se tratava de um sacerdote “Rudy” (isto é,  Pe. José Stanek) … perto do padre foram levadas duas jovens … Depois de um breve espaço de tempo o padre e as duas jovens foram levadas entre as ruínas do pavilhão, onde – das vigas de ferro – já penduravam alguns dos revolucionários. Os nazistas começaram a falar com os três, mas nós não conseguimos entender o que eles diziam … no momento em que reconduziam fora das ruínas, já colocavam as cordas no pescoço das jovens e do padre e as cordas eram puxadas para cima. O padre levantou visivelmente, talvez uma ou ambas as mãos, como se para cumprimentar, abençoar ou absolver todos os presentes no pavilhão, não em número inferior a 200 pessoas. Esta imagem do padre permaneceu na minha memória”. A senhora Małgorzata Lorentowicz acrescenta: “Padre José estava com os braços elevados, como no gesto de dar a bênção, e seus lábios se moviam, como se rezasse. Ele estava em absoluto silêncio, calmo, em plena resignação à morte”.

O corpo do mártir, sob as ordens dos militares, ficou por algum tempo na forca com o objetivo de assustar as pessoas obrigadas a passarem na proximidade do lugar.

Pe. Stanek após a tortura foi enforcado na parte de trás do armazém na rua Solec em Varsóvia. Segundo alguns relatos, ele foi enforcado em sua própria estola. O excepcional ódio dos alemães em relação ao capelão do grupo “Kryska” devia ser causado por seus conselhos aos insurgentes, de modo que eles destruíssem suas armas sob sua própria responsabilidade. Foi para protegê-los do destino daqueles que, capturados com armas, foram imediatamente fuzilados. Mártir em 13 de junho de 1999, ele estava entre os 108 mártires da Segunda Guerra Mundial, beatificado pelo papa João Paulo II. Em 2004, o Beato Palotino foi estabelecido como o patrono da capela do Museu da Insurreição de Varsóvia.

Ryszard Czugajewski, escritor, um dos maiores promotores da Causa de Beatificação, publicou um livro sobre Padre Stanek, intitulado “Ele amou até ao fim” (Umiłował do końca). Este título pode ser reconhecido como uma síntese da espiritualidade do Beato. Seu zelo pastoral foi notado em cada serviço sacerdotal durante apenas três anos em meio a um clima particular da ocupação nazista, de perseguição à Igreja e, por outro lado, o despertar do patriotismo da população de Varsóvia que organizava a resistência de várias maneiras. Numerosas testemunhas observaram que a motivação fundamental para o trabalho de Pe. José foi o amor a Deus. Entre outros, Padre Józef Dąbrowski, coirmão Palotino e colega dos tempos dos estudos, declara: “Considerando a vida de Pe. Stanek na perspectiva de hoje, tenho convicção de que ele se sentiu impelido a viver sempre guiado por um amor excepcional a Deus … preparou a oferta heróica de sua vida em defesa da fé e da nação”.

De acordo com testemunhas oculares, desde o início da vida Palotina do nosso Beato se poderia ver nele um compromisso a dedicar sua vida inteiramente à glória de Deus. Ele se distinguia por uma grande fé em Deus e a irradiava ao próximo. Esforçava-se em convencer os vizinhos a confiar tudo à Providência divina e, se fosse necessário, aceitar com dignidade até mesmo a morte, acreditando que essa não seria inútil, mas que serviria como mensagem para os outros.

O grande número de pessoas que tinha conhecido Padre Stanek e aquelas que assistiram à execução, sempre interpretaram a sua morte como martírio pela fé e pelo seu país. Todas as testemunhas chamadas em causa confirmaram esta convicção. Também são atribuídos à sua intercessão diversas graças obtidas de Deus. Sua memória litúrgica é comemorada no dia 12 de Junho, juntamente com o Beato José Jankowski.

Oração Colecta

Deus todo-poderoso,
que destes aos beatos José Jankowski e José Stanek
a graça de sofrer pelo Cristo, ajudai também a nossa fraqueza,
para que possamos viver firmes em nossa fé,
como eles não hesitaram em morrer por vosso amor.
Por nosso Senhor Jesus Cristo…